Resenha: A Ruína de Noltora I - Máscaras para os Mortos
Poderoso, instigante e repleto de reviravoltas.
Com essas três características, defino Máscara para os Mortos, o primeiro volume da série “A Ruína de Noltora”. Ideal para quem gosta de mundos fantásticos e personagens marcantes, os quais você irá se identificar e vibrar em cada linha de ação que M. P. Neves faz questão de descrever de maneira vivaz.
Noltora é um prato cheio para os amantes de mundos de fantasia. A terra, mesmo fustigada por um evento cataclísmico, transborda complexidade. Perigos espreitam em todos os lugares que você pode imaginar, carniçais horrendos, bruxas poderosas e abissais (criaturas anfíbias) irão te fazer temer por sua vida, quando, na verdade, o real perigo sempre é aquele que menos se espera.
Humanos travam incessantes batalhas, tentando subjugar tudo em seu caminho. Exércitos lutam por território, enquanto forças ocultas começam a ganhar força.
Hakim, um jovem guerreiro, escolhido para assumir o manto de Deus-Rei de Var Khalad, traja as vestes e as máscaras de um deus morto, enquanto descobre os poderes dos humores taumatúrgicos: um tipo de magia que concede poderes além da compreensão humana. O jovem rei se vê entre batalhas cada vez mais frequentes contra criaturas anfíbias conhecidas como abissais. Entretanto, com o folear das páginas, descobrimos com ele que o real perigo pode estar mais perto do que se imagina.
Moira, uma habilidosa jovem vinda dos clãs do Povo das Cinzas, perdeu sua família em um ataque covarde do exército de Var Khalad e, após estranhos acontecimentos e uma ajuda inesperada, parte em uma jornada para tentar encontrar sua irmã, auxiliada por Sev e Morsov – que também possuem certos planos – e seu servo Istvan. À medida que tenta descobrir o paradeiro da garota, Moira começa também a se descobrir.
E nessa jornada épica por lados opostos de Noltora, nos perdemos em linhas e linhas de uma história bem escrita e amarrada, digna de ocupar o posto de uma das melhores sagas de fantasia que já li. E ouso afirmar que também há muito suspense aqui. A cada final de capítulo, você ficará com aquela sensação de fim de capítulo de novela – é séro! A maioria acaba sempre com alguma reviravolta mirabolante.
O que achei mais interessante na obra é que o autor foge do básico: castelos e sociedades no estilo europeu (ocidental) e outros elementos que as fantasias mais tradicionais trazem. Só pelos nomes empregados nas localizações e nos personagens, já me fazem lembrar do Antigo Egito e das sociedades do Leste Europeu, algo pouco retratado em livros do gênero. E, sem dúvidas, os Santos Cavaleiros me remetem muito aos Templários e toda a cultura do Oriente Médio na época das Cruzadas!
E, como um criador de mundos, sei o quão difícil é você dar profundidade a um cenário, com sua história e cultura. Entretanto, M. P. Neves dominou com primazia não só esse ponto, mas toda trama em si. Tudo que consegui imaginar foi esse rico cenário adaptado em um incrível RPG de mesa!
Escolha se perder junto aos personagens, enquanto descobre as maravilhas e os perigos dessa vasta terra fantástica. Entre na trama, viva mistérios e ouse protagonizar essa jornada épica sem precedentes! Vista sua armadura, pegue sua lança e se apresente, pois Hakim, Moira e companhia estão lhe aguardando no primeiro volume de A Ruína de Noltora.
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